Somos vítimas das comédias românticas

Sim, ouso dizer no plural que nós, mulheres por volta dos 25 anos somos todas vítimas das comédias românticas e inúmeras temporadas de Malhação que assistimos por anos a fio.

PS IMPORTANTE: Não tenho a pretensão de nesse texto contemplar todos os tipos de personalidade feminina existentes na face da Terra, então não pense nem por um momento que acredito que toda e qualquer mulher deseja casar e ter filhos. Para aquelas que traçam caminhos diferentes para vida, desejo que também sejam felizes! Não me levem a mal, tá? Mas esse texto é direcionado para mulheres que assim como eu anseiam por esse final.

Algumas de nós, muito sabiamente e arrisco dizer com uma coragem que agora virou moda, mas lá pelos idos dos anos 2000 não era tão comum, conseguiram se libertar das amarras trazidas pelas belas histórias de amor da sessão da tarde e, possivelmente, foram mais felizes assim. Outras, sortudas na vida, sonharam todos os dias com o cara perfeito que chegaria para completar a vida e eis que esse boy realmente apareceu. A vocês, meus parabéns!

Love 3

Para a maioria a verdade é uma só: comédia romântica e vida real são coisas absurdamente diferentes. E tá tudo bem que seja assim. Como incurável romântica que sou, ainda que lutando fortemente com a profunda racionalidade com a qual lido com muitas coisas, acredito piamente que um dia terei aquele final feliz com um belo letreiro de The End subindo.

O problema não é esse desejo. Não é sonhar com uma vida amorosa incrível. Nunca me atreveria a dizer isso. A questão é outra: como fomos doutrinadas a acreditar num modelo definido de felicidade no amor. Machista muitas vezes (mas hoje não é dia de falar sobre isso) e, pior, para muitas de nós inalcançável.

Love

Será que um dia, andando distraída pela faculdade deixarei cair um caderno, me abaixarei para pegar e o homem da minha vida vai se abaixar também e, pronto, tá formado o meu “feliz para sempre”? Sendo honesta, acho que não. Tampouco vamos consertar o cara galinha e transformar ele num excelente pai. Muito menos precisamos, na series finale da vida, largar nosso emprego em Paris e ir atrás da nossa alma gêmea para sermos felizes de verdade (entendedores entenderão).

À medida que nos tornamos as mulheres que sonhamos ser, de dar orgulho para nossas mães que sempre nos disseram que “primeiro você tem que ser independente pra depois pensar em casamento” (e isso é incrível!), ainda no fundo queremos sim viver no último episódio da novela, onde todo mundo se casa, tem filhos e vive feliz para sempre.

Então como lidar com a realidade? Não preciso dizer que nem tudo vai acontecer como planejado, principalmente num mundo onde as pessoas não estão muito dispostas a ceder e se relacionar. Sermos nós mesmos é um ato de coragem que poucos costumam praticar nesses tempos loucos em que vivemos.

Love 2

Eu não tenho a fórmula de como lidar com esses impasses, mas creio que o caminho mais eficaz seja aceitar que a vida não é como queremos, os caminhos não acontecem como nos filmes e possivelmente os finais são absurdamente distintos. Mas nem por isso têm menos valor. A felicidade é a meta, venha como vier. Saibamos que ela nem sempre virá como esperado e aceitemos isso.

Tudo bem que escrevo esse texto enquanto ouço “still feel like your man” de John Mayer. Claramente eu sou uma romântica incurável. Claramente eu talvez não saiba o que estou falando. Mas ok. Sigo tentando.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s