Documentário The True Cost

Essa semana cumpri um dos itens daquela lista imensa e inacabável que tenho dos filmes e séries que preciso assistir. Finalmente vi o documentário The True Cost, que está disponível na Netflix.

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Dirigido por Andrew Morgan e produzido por Michael Ross, The True Cost nos mostra a influência do novo modo de comercialização da moda sobre a indústria têxtil de um jeito que você provavelmente nunca pensou sozinho.
A forma como consumimos moda mudou muito em pouco tempo. Se antes as marcas possuíam duas coleções por ano, hoje podem chegar a 52, como pontuou a jornalista e apresentadora do Reino Unido que analisa os impactos ambientais e sociais da moda há uma década, Lucy Siegle.
São as nossas conhecidas fast fashions (Renner, C&A, Riachuelo, Forever 21, Zara), que tanto amamos e nos dão opções de roupas baratas (ou menos caras, já que por aqui quase nada é realmente barato), as responsáveis por essa mudança drástica. No que isso resultou? A necessidade de produzir mais, mais rápido e mais barato.
Para redução dos custos, as marcas optaram por transferir a fabricação das peças para países subdesenvolvidos, onde as leis de proteção ao trabalho e ao meio ambiente são inexistentes ou pouco efetivas, ou seja, onde eles podem fazer o que querem, pagando salários irrisórios e aumentando exponencialmente seus lucros.
Com isso, enquanto nos anos 60 95% das roupas vendidas nos Estados Unidos eram fabricadas lá, atualmente esse percentual é de apenas 3%!
O problema disso tudo é que nesses países pobres os trabalhadores lidam com condições insalubres de trabalho, ganhando salários insuficientes para as necessidades básicas enquanto as marcas crescem cada vez mais comercializando peças de baixo custo.
Assistir ao documentário me fez refletir bastante e me sentir um pouco mal em possuir em casa peças fabricadas em Bangladesh, por exemplo, país com destaque no documentário, onde um trabalhador de uma fábrica de roupas ganha menos de 3 dólares por dia.
Há quem defenda as fábricas de suor, nome dado a essas fábricas que exploram o trabalho de baixo custo dos empregados em condição de vulnerabilidade, sob a justificativa de que os trabalhadores que ali estão escolheram aquele local em vez de outras opções de emprego ainda menos desfavoráveis, o que faria com que, na verdade, as fábricas de suor fossem uma opção boa diante do quadro geral do mercado de trabalho nesses países pobres.
Se isso soa como um monte de baboseiras para você, não se sinta só, porque também achei tudo muito parecido com uma daquelas mentiras que contamos a nós mesmos todos os dias na esperança de que em algum momento finalmente acreditemos nela. Nesse caso, sigo sem acreditar que as fábricas de suor sejam algo bom para esses trabalhadores.
O documentário aprofunda ainda mais a questão ao falar sobre como a produção acelerada e barata das roupas influencia na plantação de algodão, o que exige o uso de substâncias químicas prejudiciais ao solo e ao ser humano. The True Cost ressalta ainda o problema do lixo têxtil e do impacto psicológico causado pela supervalorização da imagem que sofremos atualmente e que está intrinsecamente relacionada com o consumo abusivo de roupas.
Mas o que podemos fazer diante de tudo isso? Infelizmente, não sei bem como responder a essa pergunta. Ao mesmo tempo que me senti mal pelos relatos do documentário e acredito que algo deva ser feito para que as condições de trabalho dessas pessoas melhorem, não posso mentir e dizer que deixarei de comprar nas fast fashion e só vou consumir roupa de marcas que sei que são sustentáveis e com produção local. E o motivo primordial disso é uma questão simples: o valor das peças.
Contudo, acho que esse tipo de discussão tem que ser inserida ainda mais não somente no meio da moda, mas na sociedade em geral, porque somente com todos sabendo o que está acontecendo e cobrando soluções, as marcas se sentirão coagidas a mudar esse cenário triste e chocante. Vamos pensar um pouco sobre isso? Me conta o que você acha, se já viu o documentário e o que acredita que devemos fazer.

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